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Agentic Commerce: O que as atualizações recentes do ChatGPT dizem sobre o futuro dos hábitos de consumo.

  • Bons de Briga
  • 8 de outubro de 2025

O conceito de Agentic Commerce está ganhando força após as novidades anunciadas pela OpenAI no ChatGPT, incluindo o Instant Checkout e os planos para uma plataforma de anúncios integrada. O movimento mostra que a empresa não é mais apenas criadora de modelos de linguagem, mas está se posicionando como um ponto de orquestração entre consumidores, marcas e transações digitais.

Nesse novo cenário, o valor não está mais em atrair visitas para páginas de destino, mas em ser citável e confiável pelos agentes de IA que intermediam decisões de compra, recomendações e até a visibilidade das marcas. Essa transição pode reconfigurar a disputa entre Google, Amazon e novos ecossistemas de IA, abrindo espaço para uma competição inédita no mercado digital.

Agentic Commerce e o papel do ChatGPT

O que é Agentic Commerce

Agentic Commerce é o modelo de comércio mediado por agentes de IA capazes de pesquisar, avaliar e decidir em nome do consumidor. Diferente do social commerce, que depende do engajamento via entretenimento, o Agentic Commerce atua na necessidade imediata: um usuário solicita algo, e o agente responde com recomendações e até a compra concluída, sem sair da interface.

Com a integração do Instant Checkout, o ChatGPT passa a ser não apenas um buscador inteligente, mas também um ambiente transacional. Isso o coloca diretamente na arena de plataformas que antes eram dominadas pelo Google (descoberta via busca) e pela Amazon (compra e logística).

Novidades recentes da OpenAI que moldam o futuro

1. Instant Checkout e padronização do comércio em IA

  • Permite que usuários comprem diretamente dentro do ChatGPT, sem redirecionamentos.
  • Funciona com base no Agentic Commerce Protocol, que busca padronizar como agentes interagem com catálogos e transações.
  • O modelo prevê expansão futura para carrinhos, múltiplos lojistas e mais países.
  • Os vendedores pagam comissão por venda, enquanto usuários não têm custo adicional.

Esse movimento sinaliza o início de um ecossistema transacional centralizado em agentes de IA.

2. Plataforma de anúncios integrada

  • A OpenAI já testa estratégias que apontam para anúncios nativos no ChatGPT.
  • A monetização tende a ser híbrida: comissão por transações mais inserções patrocinadas.
  • Isso transformaria o ChatGPT em um ambiente zero-click, no qual descoberta, decisão e compra acontecem sem sair da conversa.
  • Essa abordagem coloca a OpenAI em concorrência direta com o Google Ads, mas com uma vantagem: o contexto conversacional.

3. Sora 2 e a entrada no mercado de mídia social

  • A evolução do modelo Sora trouxe geração de vídeo realista e um aplicativo de compartilhamento social inspirado no TikTok.
  • Usuários podem criar vídeos com “cameos” digitais e interagir em um feed alimentado por IA.
  • Esse passo mostra que a OpenAI também quer disputar espaço no consumo de conteúdo multimídia, além do comércio e da busca.

4. Deep Research e autoridade de conteúdo

  • O ChatGPT passa a realizar pesquisas autônomas, com coleta, filtragem e citação de fontes externas.
  • Isso reposiciona conteúdos originais, profundos e confiáveis como matéria-prima essencial.
  • Marcas e publicações que produzirem conteúdos de qualidade têm mais chance de serem referenciadas por agentes e, portanto, permanecerem visíveis.

O novo panorama competitivo das Big Techs

As inovações da OpenAI abrem uma disputa entre ecossistemas de agentes que pode redefinir o mercado global:

  • Google corre para adaptar sua busca ao modelo conversacional e transacional.
  • Amazon enfrenta risco real de desintermediação se compras passarem a ser finalizadas diretamente em agentes como o ChatGPT.
  • Meta, Apple e Microsoft exploram suas próprias versões de agentes, reforçando ecossistemas fechados e integrados.
  • O consumidor tende a interagir cada vez mais com agentes, e não diretamente com sites ou aplicativos.

O impacto para marcas e negócios

O fim da visibilidade por tráfego tradicional

Sites e lojas perdem protagonismo quando o agente de IA passa a ser o curador e executor da jornada de compra. A visibilidade depende de ser integrado, citado e confiável, não apenas de estar bem posicionado no Google.

Autoridade como novo ranqueamento

  • Conteúdos superficiais ou gerados em massa por IA tendem a ser descartados.
  • Fontes com profundidade, dados originais e consistência serão privilegiadas.
  • Estar presente em redes de citação confiáveis será tão ou mais importante que SEO clássico.

First-party data como defesa estratégica

  • Dados próprios, coletados de forma consentida, são a chave para manter autonomia.
  • Quem depender apenas de dados agregados ou de ecossistemas externos terá vulnerabilidade maior.
  • O domínio do first-party data garante que empresas possam alimentar agentes internos e personalizar experiências.

Estratégias práticas para brigar por espaço com as gigantes

Para competir nesse cenário, pequenas e médias empresas devem adotar desde já uma mentalidade de Agent-Centric Marketing:

  • Produzir autoridade: priorizar conteúdos originais, estudos, análises profundas e comparativos confiáveis.
  • Estruturar dados: implementar schema.org, JSON-LD, APIs e feeds detalhados para tornar catálogos legíveis por agentes.
  • Integrar-se a protocolos de comércio de IA: preparar-se para o Agentic Commerce Protocol e similares.
  • Diversificar ecossistemas de IA: não depender só do ChatGPT; marcar presença em Gemini, Perplexity, Bard e outros.
  • Construir confiança de marca: investir em transparência, governança de dados e parcerias estratégicas.
  • Fortalecer first-party data: estimular o relacionamento direto com clientes para coletar dados estruturados e seguros.
  • Acompanhar regulações: estar atento a legislações sobre IA, privacidade e responsabilidade algorítmica.

O avanço da OpenAI com o ChatGPT mostra que estamos entrando em uma era onde agentes de IA controlam a descoberta, a decisão e a transação. Nesse contexto, o Agentic Commerce não é apenas uma tendência, mas uma mudança estrutural na forma como marcas competem por visibilidade.

O futuro será dominado por quem conseguir ser referenciado, confiável e integrado nesses ecossistemas. Para empresas menores, a sobrevivência dependerá de investir em autoridade, dados estruturados e diversificação de presença em múltiplos agentes.

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