ChatGPT no funil de marketing já deixou de ser tendência e virou realidade. A plataforma, antes vista apenas como assistente de produtividade ou ferramenta de atendimento, está assumindo um novo papel: canal de descoberta.
Pessoas usam a IA para buscar ideias, entender problemas, comparar soluções e, muitas vezes, decidir entre marcas, tudo isso antes de visitar um site ou clicar em um anúncio. Essa mudança afeta diretamente o topo e o meio do funil, exigindo uma nova forma de pensar conteúdos, canais e métricas.
ChatGPT está virando o primeiro contato, o momento em que uma necessidade encontra contexto. E isso muda completamente como o awareness precisa ser trabalhado.
O que muda quando ChatGPT é a porta de entrada
- A descoberta acontece via diálogo em vez de busca tradicional. Perguntas que antes iriam para o Google ou redes sociais estão indo direto para o ChatGPT (ou outras IAs conversacionais).
- Menos cliques significa tráfego “visível” menor, mas maior relevância nos visitantes que chegam. Quem é recomendado ou citado pela IA pode receber tráfego com maior intenção e predisposição.
- O conteúdo que alimenta essas recomendações precisa estar preparado para ser entendido e usado por IAs: clareza, profundidade, estrutura de resposta, exemplos concretos.
- O meio de funil, comparação entre opções, avaliação de características, depoimentos, demonstrações, começa a ocorrer mais cedo. Em vez de esperar que o leads pesquisem depois, algumas dessas etapas precisam estar prontas para aparecer nos chats ou contextos de IA.
Estratégias para dominar awareness e meio de funil com ChatGPT
Para capturar vantagem competitiva, faz diferença focar em ações concretas:
- Produzir conteúdos que respondam perguntas reais que circulam no ChatGPT — tutoriais, guias de comparação, FAQs bem construídas, estudos de caso. A ideia é que essas respostas sejam candidatas a serem usadas inteiramente pela IA.
- Usar linguagem clara, direta e objetiva: evitar jargões desnecessários, estruturar os conteúdos com cabeçalhos, listas, exemplos. Isso ajuda quando IAs sintetizam respostas ou citam trechos.
- Ter dados públicos fortes e confiáveis: depoimentos, reviews de clientes, comparativos transparentes. Isso porque quando alguém pergunta “por que escolher X em vez de Y?”, a IA valoriza quem tem provas concretas.
- Avaliar presença em plataformas que alimentam o “corpus” usado por esses modelos: blogs bem indexados, conteúdo em sites autoridade, parceiros ou mídia especializada. Quanto mais o conteúdo é citado em fontes de referência, maior chance de aparecer na resposta da IA.
- Adaptar métricas de marketing para capturar o impacto desse canal novo: monitorar quantas buscas de descoberta (via IA) levam ao site, quantos leads vêm delas, qual é a jornada desses leads, pode haver menos sessão inicial, mas conversão pode estar mais qualificada.
Principais desafios e como superar
Transformar ChatGPT em canal de descoberta traz desafios que exigem ajustes:
- Nem todo conteúdo antigo está otimizado para esse tipo de descoberta. Textos muito promocionais, mal estruturados ou superficiais tendem a não ser usados pela IA.
- Manter credibilidade: informações incorretas ou não atualizadas podem prejudicar. Verificar fontes, manter conteúdo revisado, especializar onde possível.
- Medição: é preciso traçar origens de tráfego ou leads que vieram de respostas de IA, o que nem sempre é direto. Ferramentas de analytics, pesquisas com leads (“como encontrou nossa marca?”), e tracking de menções são úteis.
- Velocidade e adaptação: perguntas novas aparecem o tempo todo. Ter capacidade de produzir rapidamente conteúdos novos, responder dúvidas recentes, fazer comparativos emergentes, dá vantagem.
Exemplos práticos de virada no funil
- Uma empresa de SaaS publicou um guia comparando diferentes soluções de automação, com linguagem simples, tabelas claras e uso de exemplos. Esse conteúdo começou a aparecer em chats de usuários pesquisando “qual automação usar para marketing de conteúdo” e gerou leads mais qualificados.
- Marca de produto consumidor monitorou perguntas frequentes em fóruns e no ChatGPT, viu que muitos usuários perguntavam “produto X ou Y pra uso específico Z”. Criou uma página de comparação específica e conteúdo explicativo, e notou que os usuários que vieram desse conteúdo abandonavam menos checkout.
- Um negócio de serviços de consultoria começou a registrar no lead form “Como conheceu a gente?” e incluiu opção “ChatGPT / pergunta de IA”. Com isso viu crescimento nessa categoria e pôde ajustar campanhas (criar conteúdo mais voltado para descoberta por IA) para atender esse usuário mais cedo no funil.
O que fazer antes mesmo de tirar proveito
Antes de definir campanhas ou ajustes, vale:
- Analisar quais perguntas seu público ideal já faz no ChatGPT ou em IAs similares (fóruns, comunidades, pesquisas) para mapear temas que devem ser produzidos.
- Revisar o conteúdo existente para ver se está estruturado de forma que a IA possa usá-lo: clareza, uso de subtítulos, exemplos, comparativos, relevância.
- Definir novos KPIs: menções em respostas de IA, perguntas pesquisadas via IA que levam ao site ou lead, taxa de conversão desses leads.
- Ajustar processos internos para produção contínua de conteúdo novo e relevante para descoberta, não só material promocional.
ChatGPT se consolida como canal de descoberta, não apenas como ferramenta de suporte. No topo do funil, awareness já acontece ali; no meio, comparação e decisão começam mais cedo. Adaptar conteúdo, estruturar para IA, acompanhar métricas adequadas e produzir com consistência abre espaço para captar leads mais qualificados, com menos custo e mais relevância.